Qual é a graça?
A graça vem das desgraças
De ser graça para desgraças
Que os enchidos e enxeridos
Faz da graça as desgraças
Mas qual é a graça?
A graça é turva, densa
Rápida e nem dói Mas roí e corrói
E constrói todos os prós
Destrói todos os contras
Que aponta
Que o filho da puta
Faz de conta
Que não é da sua conta
O que apronta
Que acha que a conta
Tem que ser paga pelos contras
Que não acha graça
Das desgraças nenhuma
Una ao desatino cretino e ferino
Das graças sociais
E as raciais?
Ai! Essa “não se faz”
Somente por detrás
Porque atrás?
Pergunte não rapaz!
Porque essa dói demais
Não pra quem faz
Porque quem faz
Faz com muito gás
E olhe
A sua raça tem muita graça
Pra quem faz a graça
E não sofre com a desgraça
De ser atarracado e xingado
Que por conta
Desses engraçados
Somos pisoteados e tachados
De sermos sempre um atraso
Para um país
Que acha graça
De piada de raça
O que resta
Senão
Achar graça
De uma desgraça
Que se acha girafa.
Gleice Maria Pereira